All for Joomla All for Webmasters

A Ao vivo

Previous Next

The Who - Allianz Parque (21.09.17)

User Rating: 0 / 5

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

Se existe uma Santíssima Trindade no mundo do rock, ela é sem dúvidas formada por Beatles, Rolling Stones e The Who. Isso não significa necessariamente que foram os melhores. Led Zeppelin, The Doors, Pink Floyd, Queen e tantos outros estão lá e nesse hall tudo se transforma em questão de gosto, mas é inegável ignorar que o embrião de tudo nasceu ali, com a Santíssima Trindade.

Daí a ideia do quão importante e histórico se desenhava a primeira turnê dos ingleses do The Who pelo Brasil, que se apresentou no moderno Allianz Parque como atração principal da primeira noite do megalomaníaco SP Trip, evento paralelo ao Rock in Rio que traz à cidade nomes como Guns N Roses, Alice Cooper, Bon Jovi e Aerosmith.

Das bandas citadas acima, o The Who sempre foi a mais difícil de ser trabalhada no Brasil. Seus álbuns nunca tiveram grande popularidade por aqui e as rádios nunca se esforçaram em mostrar a gradual evolução pelo qual passou uma banda que nasceu como ícone de rebeldia, levou o rock a um novo patamar explorando novas estruturas e nunca abandonou a capacidade de realizar um show extremamente visceral, algo que vai de encontro com a figura do guitar hero e do frontman tão estabelecidos no mundo do rock. O The Who talvez seja o nome que mais sintetiza a ideia de um “grupo de rock”, como uma engrenagem que funciona intensa 100% do tempo, hoje na figura de Roger Daltrey e Pete Townshend.

Depois de bons shows das bandas Alter Bridge e The Cult, ambas com estádio parcialmente cheio e ignoradas pelo público e seus smartphones, o The Who fez o que dele se esperava. Subiu ao palco sem firulas, introduções ou discursos. Era um Allianz Parque com aproximadamente 70% de sua ocupação, mas para a banda também podia ser um pub em Londres. Era subir e tocar. E o Who finalmente escreveu seu primeiro capítulo ao lado do público brasileiro.

Com uma turnê onde seus principais singles surgem de forma contínua, o show do The Who consegue promover a catarse esperada. Com uma arrebatadora sequência formada por hinos como I Can't Explain, The Seeker, Who Are You?, The Kids Are Alright e I Can See for Miles, a banda inglesa trouxe My Generation, música que praticamente define a existência da banda no Brasil, ainda na metade do show. Nesse caminho há erros pela voracidade da banda, pouco diálogo e um espaço muito bem dado a Zak Starkey, filho de Ringo Starr e substituto de Keith Moon, se é que isso é possível.

De frente para uma das maiores lendas do rock, o contraste de um público que cantou grande parte dos clássicos da banda, ainda que não tenha tido a real percepção do tamanho de cada um deles. “Resgatado” por trilhas de séries e pela nostalgia de matérias pontuais, o The Who conseguiu envelhecer se mantendo jovem e fazer pelos mais diversos motivos uma experiência tão intensa como no passado.

Mais do que isso, conseguiu comprimir em duas horas os caminhos que escolheu em uma carreira que o fez gigante com álbuns como Who’s Next, com Bargain e as catárticas Baba O'Riley, Behind Blue Eyes e Won't Get Fooled Again; e tão criativo e inovador através das impressionantes sequências extraídas de óperas-rock como Tommy, em Amazing Journey e Sparks, e Quadrophenia, com The Rock e Love, Reign O'er Me.

Ao se despedir pela última vez do público, com Substitute, faixa que parte do público rapidamente associou à versão consagrada pelos Ramones, Pete e Roger tinham a certeza de terem mostrado o que é um verdadeiro show de rock. No palco a banda agradou jovens e seus smartphones da mesma forma que senhores e posse de seus copos quentes de cerveja. Sem surpresas fez o que sempre soube: ser uma banda atemporal.

A música passa por aqui.

Email:

contato@revistasom.com.br

Fone:

11 98022.7441

Mídias Sociais