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Steve Hackett - Espaço das Américas (22.03.18)

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Lollapalooza batendo na porta, sideshows do festival acontecendo no mesmo dia, bandas voltadas a um público mais jovem... tudo isso contra o ex-guitarrista de uma das bandas mais importantes da história do rock progressivo, Steve Hackett, que se apresentava em SP três anos após uma triunfal passagem pelo país com repertório exclusiva do Genesis.

Marcado para o último dia 22 de março, período de maior ebulição do calendário brasileiro nesse primeiro semestre, o show de Steve Hackett foi o primeiro de uma série de três lendas do gênero que passarão pelo país nos próximos meses. O mítico grupo italiano Premiata Forneria Marconi e o baterista do trio Emerson Lake & Palmer, Carl Palmer, completam esse banquete para os fãs do gênero, que lotaram o Espaço das Américas ávidos por clássicos que marcaram suas vidas.

Com um público majoritariamente formado por fãs de mais de 40 anos, o show de Steve Hackett é seguramente um dos últimos fios que prendem um passado de glórias ao presente. Ao lado de uma banda que o segue há quase duas décadas e tem como destaque o baterista Gary O' Toole, o vocalista Nad Sylvan e o tecladista Roger King, o eterno guitarrista do Genesis emociona não só pelos clássicos que permeiam sua carreira, mas pela capacidade de manter intacta sua capacidade em criar músicas que rompem todos os padrões da música pop.

Dividindo o show em basicamente duas partes, sendo a primeira delas voltada ao seu trabalho solo mais recente e clássicos do passado como artista solo, o guitarrista inglês apresentou faixas do álbum The Night Siren como Behind the Smoke, El Niño e In the Skelleton Gallery, que em comum mostram como o rock progressivo de Steve Hackett pode evoluir e experimentar tantas novas influências sem se perder na essência que o consagrou. Sem se alongar e dando total liberdade aos seus músicos, especialmente ao virtuoso Rob Townsend e ao guitarrista/baixista Jonas Reingold, coringas na banda de Steve Hackett.

Intercalados com os novos clássicos, faixas mais antigas do guitarrista destacam-se Every Day e a lindíssima Icarus Ascending, responsável pela primeira aparição de Nad no palco e primeiro ponto alto do show. Dos tempos de GTA, supergrupo formado com Steve Rothery e Steve Howe são lembrados na boa When the Heart Rules the Mind.

Mas era a segunda metade que faria um público de senhores derramar lágrimas como há tempos não se via. Embalada por uma sequência poderosa de hits do Genesis, Steve Hackett mostrou que levar tamanha maestria para o palco em pleno século XXI passa longe da nostalgia pela complexidade com que faixas como Dancing With the Moonlit Knight, One for the Vine e Inside and Out são executadas.

Com uma banda afiadíssima e um vocalista que parece ter sido fundido à base de peças de Peter Gabriel e Phil Collins, em certos momentos é possível sonhar, imaginar que ali, diante de um público afortunado, está o lendário grupo inglês, tamanha precisão com que cada música é executada.

Em tom provocativo, o guitarrista engata ainda uma sequência formada por nada menos que The Fountain of Salmacis, a estratosférica Firth of Fifth e a desafiadora The Musical Box. Tudo completo nota por nota. Complexo. Tudo como se fosse hoje a turnê dos álbuns The Nursery Crime ou Seeling England by the Pound. E assim se torna impossível não derramar lágrimas e mergulhar de vez em um show que já rompia duas horas de duração.

Disposto a dar a completa catarse, Steve Hackett aposta ainda em sua faixa favorita, a longa Supper´s Ready, também executada na íntegra e disposta a marcar novamente o coração de um público que jamais imaginou ouvir ao vivo cada nota do clássico do Genesis. É assim, após quase 2h40, que o guitarrista deixa o palco para retornar em um bis com Los Endos, outra pedrada do repertório do Genesis, se aproximando de quase 3h de show em plena quinta-feira.

Era madrugada, ainda havia a sexta-feira, mas com certeza foi difícil digerir tudo o que aconteceu na noite de 22 de março no Espaço das Américas. O rock progressivo, tantas vezes sepultado no imaginário de fãs e crítica, se mostrou mais vivo do que nunca nas mãos e na voz de Steve Hackett.

A música passa por aqui.

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