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E Entrevistas

Entrevista GAROTAS SUECAS

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Provavelmente uma das bandas brasileiras mais bem-sucedidas no exterior, o Garotas Suecas trará a experiência de turnês internacionais e seu som cheio de groove ao Festival Planeta Terra.

Com uma sonoridade que traz uma miscelânea de estilos, o Garotas Suecas é sem dúvida fruto de tudo o que de bom a música teve em sua história. O melhor do soul, do rock e do funk são alguns dos elementos que fizeram com que o Garotas Suecas ganhasse o respeito dentro de um mercado tão competitivo como o americano.

Seu álbum, Escaldante Banda (2010), está disponível para download no site do grupo (http://www.bandagarotassuecas.com.br/) e mostra parte do repertório que a banda apresentará no Festival Planeta Terra.

Garotas Suecas traz seu groove ao palco do Planeta Terra Festival 2011 - Créditos: Manoela Miklos

Falamos com Tomaz Paoliello, guitarrista da banda, sobre a expectativa da banda em tocar no festival, os planos da banda e muito mais!

Entrevista Garotas Suecas

 

Festival Planeta Terra
Tomaz Paoliello: Estamos muito ansiosos para o festival. Só falamos nisso! Será o maior show da banda aqui no Brasil, embora já tenhamos alguma experiência em festivais grandes fora do país. Queríamos tentar pegar o Toro Y Moi e o Broken Social Scene, que vão acontecer meio que no mesmo horário. Depois ficamos até o final para as atrações principais. Espero que o Liam nos chame para tomar um drink com ele… (risos)

Resgate de sonoridades do passado
Tomaz Paoliello: Essa é uma marca do nosso tempo. Tocamos em diversos festivais nos EUA e no Primavera Sound, na Espanha. Dá pra sentir esse clima nas bandas, em geral. Tem uma cena do revival de garagem, a cena do pessoal do soul, uma cena do folk, e uma cena que não é classificada como revival, mas é pura revisitação, do "rock alternativo". Sonic Youth, Joy Division, Pixies já vão fazer 30 anos. Qual a diferença entre acessar uma referência como essa e Sly & Family Stone que tem 40 anos ou Beach Boys, que tem 50? A cara da nossa época é a sincronia. Todas essas referências existem juntas e ao mesmo tempo. Quando vamos a um festival como o Primavera, ou o próprio Planeta Terra, da pra entender a "big picture", e perceber como as bandas de hoje tem uma personalidade e uma forma de pensar característica. Assistimos na Espanha um show lindo do Fleet Foxes, num final de tarde, e nos sentimos assistindo o Crosby, Stills & Nash em Woodstock. Quem não queria ver um show com esse clima? Em qualquer época…

Experiência internacional
Tomaz Paoliello: Nossa experiência fora do país foi muito importante pra banda. Em primeiro lugar porque aprendemos e vivemos a turnê de uma forma como não conseguimos no Brasil. Nos EUA conseguimos tocar até cinco semanas com shows quase toda noite, rodando o pais inteiro. As turnês "alternativas" fazem a banda ganhar um entrosamento novo, diferente. Nós organizamos toda a parte logística, marcamos passagens, dirigimos, marcamos hotéis, cuidamos da parte financeira. Tudo isso faz a experiência ser muito intensa, mas também faz os resultados serem mais gratificantes. O casamento que rola entre os membros da banda na turnê deixa a relação muito forte. Em segundo lugar, a sensação de fazer parte dessa cena "internacional" independente é muito boa. Muita coisa aprendemos sozinhos, mas muita experiência vem do que compartilhamos com outros artistas na estrada. Tocamos com a Cat Power na Virada Cultural em 2010, e conhecemos o pessoal da banda da estrada. Semana passada teve show do Health aqui em São Paulo. Somos companheiros de agência deles nos EUA. Rola um companheirismo e uma cumplicidade quando você roda por aí que são muito importantes para a banda.

Internet
Tomaz Paoliello: Somos resultado direto da internet. Quando nos perguntam o que achamos da mudança na forma de se fazer música hoje, fica muito difícil de dizer porque nunca fizemos de outra forma. Acho que o pessoal fantasia muito tanto com a "era das gravadoras" quanto com a "era do download". Para o artista, que sempre reclamou que, salvo exceções, não ganhava dinheiro com venda de discos, distribuir via internet muda muito pouco. Quem achou que sem gravadora ia se entupir de dinheiro, se enganou. Quem achou (se é que alguém achou) que a internet ia acabar com a indústria musical, também errou. Para o público, por outro lado, que tinha que comprar um disco por 40 reais para ouvir o que queria e hoje paga 40 reais por mês de internet para baixar quanto de musica quiser, a coisa melhorou muito. Vamos trabalhar assim até que alguma outra coisa seja criada e mude o padrão da relação novamente. Aí faremos do jeito novo. O conteúdo continuará sendo mais importante do que o meio. Isso é o que não muda.

Carreira e dinamismo
Tomaz Paoliello: A experiência e maturidade fazem muita diferença pra banda, ainda mais se você é uma banda independente, que se preocupa em cuidar da própria carreira. Lidávamos do jeito que conseguíamos, conforme as coisas aconteciam. Hoje lidamos do jeito que sabemos lidar. Isso muda tudo. Temos muito mais controle sobre os rumos do que produzimos.

Diversidade em festivais
Tomaz Paoliello: A opção por vários gêneros é ótima! O problema que as pessoas identificam as atrações e não os gêneros musicais. O problema não é ter reggae, por exemplo, mas sim garantir que o reggae seja bom. Artista bom, de qualquer gênero, faz bons shows em festivais. E, na nossa opinião, quanto mais estilos e tipos de show, melhor é o festival, mais agradável. Aguentar 6 ou 7 shows num dia é muita informação. Tem que mudar um pouco de sintonia. Até dentro do nosso show, que dura pouco mais de uma hora, pensamos assim.

Música digital e ao vivo
Tomaz Paoliello: Continuamos acreditando no formato de álbum LP como o ideal para a maioria dos momentos. Ainda são os discos que mapeiam a carreira do artista, e que são alvo da apreciação pública. O fato de serem disponibilizados pela internet não muda isso. Acho que a dimensão física da musica é muito superestimada. No final o vinil é só um pedaço de petróleo. O essencial é a informação que está ali. E a informação pode viajar de outra formas. Nunca vi um show dos Beatles ou do Led Zeppelin, mas nem por um instante questiono o valor dessas bandas. E se, por acaso, eu tivesse baixado todos os discos dos Beatles, e não comprado em vinil ou CD, eles não deixariam de ser os Beatles… Agora, quem ama música se apaixonou muito por causa dos shows que assistiu. É uma experiência de energia indescritível, e assistir um bom show pode salvar vidas. Muitas vezes a banda só faz sentido ao vivo, quando você compartilha o momento do show com os fãs. E o incrível de um bom show, ao contrário de um bom disco, é o caráter efêmero. Acabou, quem viu, viu; quem sabe, sabe. É muito especial.

Rock atual
Tomaz Paoliello: O rock atual está muito bom. O lance começa a crescer mais quando ganha massa crítica. Você ouve uma banda, gosta, e daí tem aquela história: se você gostou dessa, ouça também tal, tal e tal… Tem uma cena com a qual o público pode se envolver e de onde pode receber diversidade. O circuito de shows ainda não é regular, mas acho que tem aparecido algumas coisas interessantes. O importante pro independente, e que percebemos muito no exterior, é que precisa haver um entrosamento entre público, as bandas e os meios; sejam casas de shows, seja a imprensa. Todos tem que aprender como se faz música desse jeito novo. O público tem que ir atrás da música que quer ouvir, e precisa sacar quais são as formas de ajudar as bandas que curte. Isso vai acontecer com o tempo e já tem melhorado muito no Brasil. Por parte das bandas, uma coisa importante que aconteceu com os discos independentes mais recentes é a melhora de qualidade, atenção aos detalhes etc. Independente e despretensioso não precisa significar mal feito. Artisticamente, os melhores discos não são feitos por gravadoras faz um bom tempo. Em termos técnicos, de execução, isso também já é verdade.

Futuro
Tomaz Paoliello: Temos ainda diversos shows legais em novembro e dezembro. Estão todos anunciados na nossa bandpage no Facebook: www.facebook.com/garotassuecas Depois tiraremos miniférias, merecidas depois de um ano com tantas coisas boas. Um novo clipe deve vir logo mais, e claro, já estamos escrevendo músicas novas para nosso próximo álbum. O plano é lançar em 2012.

A música passa por aqui.

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