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Chicago Afrobeat Project & Tony Allen – What Goes Up

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Proporcionar o encontro de vertentes musicais aparentemente díspares é sempre um dos momentos mais intrigantes da música. Foi assim que o mundo viu nascer clássicos do fusion, quando o rock encontrou o jazz. Dessa onda clássicos surgiram e se estabeleceram como uma vertente específica que até hoje rende bons frutos. Por outro lado alguns movimentos acabaram soando datados como a new rave, quando o rock/punk encontrou a música eletrônica, sintetizando o som de uma determinada época e fincando raiz apenas nesse período.

Gênero musical que mais ascendeu nas últimas décadas, o hip hop abocanhou o rock e a música eletrônica, mostrando que, desde suas raízes na década 70, sempre esteve muito mais próximo de qualquer tipo de música do que podíamos perceber. Dito isso, o encontro dele com o afrobeat era um caminho normal, reforçado ainda mais na parceria do mítico produtor de Fela Kuti, Tony Allen, com o coletivo americano Chicago Afrobeat Project.

Formado por 14 músicos e ligado de forma intrínseca ao teatro, o Chicago Afrobeat Project sempre reuniu em seu trabalho elementos de afrobeat, rock, jazz, funk e Jùjú, uma música oriunda da periferia de Lagos, na Nigéria. Essa fusão sempre rendeu performances épicas, o que acabou chamando a atenção de Tony Allen, que desde 2013 vem realizando uma parceria com o coletivo, materializada agora no ótimo What Goes Up.

Grupo que nasceu para estar no palco, o Chicago Afrobeat Project conta com uma discografia de apenas 4 álbuns em quase 15 anos de história. Realizando uma média de 100 apresentações por ano, o coletivo nunca mergulhou em estúdio de forma tão profunda como agora, abrindo ainda mais o leque musical de seu trabalho e realizando um trabalho onde funde de forma feliz elementos de hip hop ao já tradicional afrobeat que o consagrou e o levou a festivais do mundo todo.

Composto por 10 faixas, What Goes Up é intrigante do início ao fim. Às vezes parece com tudo, mas não parece com nada. Parece ser feito como uma obra world music contemplativa amparada em versos de hip hop, quando de repente explode em um ritmo frenético, como em Bee Hive, faixa que abre o disco.

Essa é a tônica de um disco que causa estranhamento inicial para logo mergulhar em um trabalho autêntico e de considerável solidez. Cantado em inglês, transforma o flerte entre o hip hop e o afrobeat na definitiva aproximação entre África e América, como se isso ainda pudesse ser algum tabu, ao menos musicalmente. Destaque para as boas I No Know e Must Come Down, essa última a melhor do disco.

Como um grande vulcão, What Goes Up é um disco que cresce com sua audição. Já em sua reta final, com faixas como No Bad News e Afro Party, se estabelece como uma verdadeira trilha para pistas de dança evitando a repetição tão comum a quem se dedica a esse propósito. Variando os vocais, engata uma sequência de faixas que reforçam a experiência de músicos que sabem muito bem onde estão pisando, especialmente quando guiados por quem transformou Fela Kuti no maior nome de um gênero ainda visto somente como World Music pela indústria fonográfica.

Que What Goes Up não se separe o próximo lançamento do Chicago Afrobeat Project em tão longos quatro/cinco anos. Um dos grandes nomes do gênero hoje, o coletivo americano é a síntese da globalização musical, um encontro que – em tempos de intolerância – se faz mais do que necessário.

A música passa por aqui.

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