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Janiva Magness - Love is an Army

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Existe algo acontecendo no blues. Talvez ainda não por aqui, mas para quem acompanha fóruns mundo afora logo percebe uma chama levemente mais brilhante dentro do blues americano. Parece óbvio, mas é lá onde ele nasceu, perto da estação de trem onde W. C. Handy tocou aquele que é considerado o primeiro som do gênero. E isso vai muito além da questão da tão sonhava evolução do gênero pregada para sua sobrevivência em um passado não muito distante.

Ignorando tendências, é possível cravar que o novo blues segue sendo o velho blues. E indo mais além é possível dizer que a cantora Janiva Magness é mais um desses pilares garantem ao blues uma solidez que dispensa grandes gravadoras e o possibilita caminhar sozinho, apostando somente na segurança de seu próprio feeling.

Artista que vem sendo aclamada como uma das grandes apostas de 2018 entre os meandros do blues, a cantora de 60 anos não tem a fama de uma diva do gênero, mas tem em seu currículo uma gama de façanhas que lhe dariam segurança para agir como tal. São incontáveis premiações pela Blues Foundation e um know-how que a posiciona certamente como uma das grandes estrelas do gênero atualmente.

Seu novo álbum, o espetacular Love is an Army, é um daqueles discos que amantes do gênero dificilmente encontrarão algum defeito. Apostando na estrada que conduz o blues muito próximo da country music, acerta em um repertório eficiente e que impressiona pela maturidade. Para se ter uma ideia do respaldo de Janiva. De cara o lendário gaitista Charlie Musselwhite, músico que tivemos a honra de entrevistar durante uma passagem pelo Brasil, faz as bases em Hammer, faixa que antecede a ótima On and On, que conta com o guitarrista Rusty Young, fundador do bom grupo Poco, que por sinal é bem “pouco” conhecido por essas terras.

Ouvindo ambas as faixas citadas fica claro o porquê de Janiva Magness ser tão conceituada no mundo do blues. A facilidade com que se envolve pelo lado mais raiz do blues e pela levada country não é pra qualquer um. Diferente de cantoras como Beth Hart, que solta a voz ao lado de Joe Bonamassa e é comparada frequentemente a Janis Joplin, a cantora nascida em Detroit tende muito mais a uma versão soft retirada de alguma diva da Motown... ou algo parecido com isso. Existe uma suavidade na voz de Janiva, mesmo quando a faixa-título do disco parece consumir todas as suas energias.

Love is an Army tem tudo que o blues pede, especialmente a melancolia de um mundo envolto em sombras, mas não é algo tão pesado a ponto de consumir a energia de quem ouve. Tudo é bem feito e nenhuma faixa extrapola o que lhe é cabido. Em um disco que ainda conta com Courtney Hartman, em Down Below, faixa que define bem o que é um triste blues amparado pelas raízes do folk, e Delbert McClinton, veterano do gênero que faz bom dueto em What I Could Do, o trabalho de Janiva entra na reta final com uma versatilidade incomum par ao blues. E em nenhum momento se propõe reinventar a roda.

Ainda assim existe espaço para o novo no disco. Ao lado de Cedric Burnside, neto do lendário R. L. Burnside e uma das grandes novidades do blues feito no delta do Mississipi, Janeva faz da bela Home uma das melhores faixas do disco, que se encerra em alto nível com When it Rains e Some Kind of Love.

Não é o disco que vai mudar sua vida, mas fica difícil não ter a certeza de que Love is an Army será responsável por bons e agradáveis momentos. E mais que isso, fica a certeza que o blues não respira por aparelhos. Muito pelo contrário

A música passa por aqui.

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