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Mauricio Pereira - Outono no Sudeste

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Um artista em sua essência. Lançando um álbum onde é possível mergulhar tão fundo em seu universo que ouvir ao disco é como espiar uma realidade paralela com irreverência, melancolia e, claro, muita qualidade. Não estamos falando de Tom Waits ou Leonard Cohen, mas de Mauricio Pereira, reconhecido por muitos como uma das metades do lendário grupo Os Mulheres Negras, com quem lançou dois álbum, mas que tem uma sólida carreira solo e lança agora o belíssimo Outono no Sudeste, seu sétimo disco.

Disco que abusa das referências, o novo trabalho de Mauricio Pereira é samba, é blues, é pop... é música. Não aquela música para se ouvir de forma simplória, para passar o tempo, pois mesmo que o tempo passe, estamos diante de uma música que proporciona um mergulho tão intimista que parece colocar o ouvinte em uma caixa, junto com o seu protagonista e uma banda que explora nos pequenos detalhes as ricas composições do disco.

Logo de cara, na lindíssima A Mais (Rubião Blues), percebe-se estar diante de um trabalho profundo, que exige um silêncio maior, especialmente pela narrativa de Mauricio se dar de uma forma tão descontruída que temos a sensação de algo muito maior que a música em si. A melancolia envolta no pontual bombardino de Amilcar Rodrigues e a forma com a letra se desenvolve irremediavelmente comove e já de cara mostra que o jogo está ganho, algo reforçado ainda mais na sequência que se completa com Tudo Tinha Ruído, uma daquelas músicas candidatas a melhor do ano em qualquer votação.

Imprevisível, Outono no Sudeste parece não se repetir a cada música, soando como fragmentos de uma mente sem fronteiras. O primeiro choque, sem dúvidas, é no sambinha Florida e a grooveada Os Amigos ou O Coração é Um Órgão, uma daquelas faixas que parecem ter saído da mente de alguém como David Byrne. Ou David Byrne teria saído da mente de Mauricio Pereira? Nunca saberemos.

Essa amálgama musical se repete pelo miolo de um disco que parece sugar cada vez mais seu ouvinte a cada faixa executada, esse processo culmina em uma faixa-título que só faz sentido nesse momento, já que sua letra é de longe um mergulho profundo na essência dos artistas citados anteriormente, especialmente Tom Waits. É intimista (de novo!), é profundo... e não há como passar ileso pelo rumo que a composição toma.

Os ecos de Mulheres Negras aparecem em Não Me Incommodity, a mais irreverente do disco, contrastando com a atmosfera bossa-nova de Piquenique no Horto, que tem como destaque, além da boa composição, o piano de Pedro Montagnana.

Já em sua reta final, Outono no Sudeste repete influências, há mais samba, há aquela pitada de rock, mas se inverte completamente. É quando a capacidade de se reinventar mostra que Mauricio não é um artista comum, nem de longe. Sobram bons momentos ainda em Quatro Dois Quatro, cheia de referências futebolísticas, mas muito mais que isso, e Maldita Rodoviária, a mais intensa do disco, contando com um naipe de sopro empolgante formado por Amilcar Rodrigues e nosso protagonista, que também é saxofonista.

O encerramento, tímido, com Uma Pedra, comove, mas pouco envolve depois de uma verdadeira viagem por ritmos e composições, consolidando um trabalho coeso do início ao fim e que engrandece ainda mais a obra de Mauricio Pereira.

Não é só um disco, mas uma experiência. E se você tem a chance de fechar os olhos por alguns minutos e focar seu pensamento nas ideias de Mauricio Pereira, tenha certeza que a viagem é extremamente satisfatória.

A música passa por aqui.

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