All for Joomla All for Webmasters

L Lançamentos

Previous Next

Moby - Everything Was Beautiful, And Nothing Hurt

User Rating: 0 / 5

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

Está tudo acabado. As esperanças, a empatia... tudo está acabado. É assim, sob o prisma da desesperança que o escritor, DJ e produtor americano Moby lança seu 15º trabalho de estúdio, Everything Was Beautiful, and Nothing Hurt.

Descrito pelo próprio artista como uma visão de um mundo pós-apocalíptico sendo visitado por um alienígena, o novo trabalho de Moby mergulha de cabeça no trip hop, que por excelência já é considerada a vertente mais melancólica da música. E isso é bom, dependendo do ponto de vista.

Musicalmente sim, afinal, posiciona o americano ao lado de grandes expoentes como o Massive Attack, por exemplo. Porém parece reforçar uma visão pessimista sobre um mundo contemporâneo já apresentado nos últimos seus lançamentos. Não a toa, o último trabalho de Moby chama-se More Fast Songs About the Apocalypse, de 2017.

Descolado de seu irônico título, Everything Was Beautiful, and Nothing Hurt é sim um belíssimo álbum. Carregado de faixas densas, caso de The Waste of Suns e The Last of Goodbyes, traz ecos de sua obra seminal, Play (1999), apoiando-se numa musicalidade que só alguém nascido em um berço musical tão intenso como o do Harlem poderia explorar com maestria.

Salvo em raros momentos, praticamente todo disco exala um pessimismo incomum até mesmo para Moby. Se depois do dançante Last Night o bom Wait for Me estava propondo um retorno ao seu melhor momento, mais musical, de Play e 18, dali em diante a incursão pelo ambient e os recentes acontecimentos (em especial a eleição de Trump) parecem ter tirado do produtor americano qualquer perspectiva sobre o futuro. E isso está refletindo diretamente em sua obra.

Abusando de uma verdadeira carga de sussurros, Moby explora em faixas como The Tired And The Hurt e This Wild Darkness um processo quase letárgico. Tão carregado e melancólico que por vezes beira o tédio, mas que se salva pela competência de um artista que sabe a hora de encerrar suas lamentações, ao menos naquela faixa, o que não acontece em certos momentos do disco.

Com mais de uma hora de duração, Everything Was Beautiful, and Nothing Hurt não é fácil e passa longe da referência para aqueles que querem conhecer a obra de Moby. Feito sob medida para dias cinzas e noites frias, seu novo trabalho é a trilha sonora perfeita para um dia que você quer que acabe, com a diferença de que espera buscar no dia seguinte um bom motivo para não ouvi-lo novamente. Uma realidade até certo ponto comum para quem mergulhou durante a década de 90 em clássicos de gente como Massive Attack e Portishead.

 

 

 

A música passa por aqui.

Email:

contato@revistasom.com.br

Fone:

11 98022.7441

Mídias Sociais