All for Joomla All for Webmasters

M Matérias

Previous Next

Michael Jackson e o dia depois de amanhã

User Rating: 0 / 5

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

O que fazer depois de lançar um álbum tão revolucionário e de números tão surreais quanto Thriller? Envolto à cifras astronômicas e aclamado como o maior artista do mundo, Michael Jackson fez o que mais sabia, revolucionar. É diante desse cenário que 2017 celebra três décadas de Bad, o disco que levou a figura do “cara mau e excêntrico” para dentro da música pop.

Basta olhar para a história da música até então. Os Beatles, Elvis Presley, Bee Gees, Simon & Garfunkel, Frank Sinatra... ícones da cultura pop capazes de arrebatar corações e revolucionar o mundo da música com uma única coisa em comum. A figura de bons moços. Claro, todos com suas neuras e loucuras atrás dos palcos, mas sempre com a imagem de artistas que qualquer fã adoraria apresentar para os pais na noite de sábado.

Não faltavam ícones na época, divas especialmente. Diana Ross colhia o sucesso da era disco, Tina Turner emplacava uma avalanche de hits após um período turbulento ao lado de Ike e Madonna vinha de seu momento mais “ingênuo”, com True Blue (1986), abrindo terreno para o lançamento de Like a Prayer (1989), um de seus discos mais polêmicos. Por isso 1987, além de uma quantidade considerável de bons lançamentos na música como pop como The Joshua Tree (U2) e Faith (George Michael), não se compara ao abalo causado pelo retorno de Michael Jackson com Bad depois do ponto mais alto da história, com o gigante Thriller.

Disco que também marcou o fim da parceria entre Quincy Jones e Michael Jackson, Bad vai além das letras que falavam sobre temas como paranoia, aceitação e problemas raciais, mas uma mudança estética que marcaria para sempre a música pop.

Pilares do disco, Bad e Smooth Criminal refletem bem o mergulho de Michael Jackson no rock e na cultura hip hop nos anos seguintes. Para quem chegou a acompanhar a mídia da época, Bad foi lançado no mesmo ano que o disco de estreia do Guns N Roses, Appetite for Destruction, e mesmo assim era comum ao redor do mundo ver Michael Jackson ser aclamado como o grande “Rei do Rock” em grandes canais pelo menos até o início da década de 90, um feito graças ao poderio de seu sétimo trabalho. 

Boa parte disso graças ao time que colaborou na produção do disco, caso do guitarrista David Williams, que trabalhou com o grupo Earth, Wind & Fire, além de artistas como Madonna e Bryan Ferry, e o virtuoso Steve Stevens, conhecido por seu trabalho ao lado de Billy Idol. Trunfo dessa transição musical de Michael Jackson, o tecladista Greg Phillinganes foi outro que ajudou na nova estética da música do artista americano. Para se ter uma ideia do know-how de Greg, seu trabalho pode ser visto atualmente nos últimos anos ao lado de Bruno Mars e Kanye West.

Inicialmente, Bad contaria com participações que coroariam o know-how de Michael no mundo da música. Depois de Thriller, algo ainda maior seria a cereja do bolo e para isso duetos com Prince, Diana Ross, Whitney Houston, Aretha Franklin e Barbra Streisand foram planejados, mas nada disso aconteceu. Apenas Siedah Garrett (Just Can not Stop Loving You) e Stevie Wonder (Just Good Friends) realizaram a participação no disco. Assinando a maior parte das letras, Michael era o dono da máquina que o transformaria em uma espécie de bad boy da música pop, contribuindo ainda mais para o mito que criou desde os tempos de Jackson Five.

Parte dessa transformação de Michael Jackson em um artista tão inacessível e misterioso para o público vem também da quantidade de lendas que se alimentaram durante o processo de gravação do disco. Muito além do jovem franzino, talentoso e cheio de alegria, a excentricidade de quem aparecia em público ao lado de seu chimpanzé de estimação e as histórias sombrias como a de que havia tentado comprar os ossos e roupas de John Merrick, o Homem Elefante, tomavam conta do noticiário.

As letras falando de aceitação social pareciam refletir diretamente na sua aparência, enquanto sua pele parecia cada vez mais clara. A especulação de um tratamento intensivo com hidroquinona, substância capaz de clarear a pele, mexia com Michael, que também se tornava mais distante. Anos depois ele confessaria a Oprah Winfrey tratar-se de um combate ao vitiligo, verdade contestada até sua morte, em 2009.

Tudo o que cercou Michael Jackson até o lançamento do álbum certamente contribuiu para a avalanche de críticas da mídia sob a natureza do disco. Mesmo acusado de não inovar, o artista americano conseguiu emplacar nove faixas nos charts americanos, cinco delas em primeiro. O disco também alavancou uma turnê sem precedentes e superaria em muito os números de bandas de rock clássicas como o Pink Floyd, que naquele momento vivia sua fase mais turbulenta, e o AC/DC.

Musicalmente Bad apresentava um híbrido da atmosfera encontrada em Off the Wall e Thriller engolindo praticamente tudo o que poderia ser visto nos anos seguintes. O mergulho na década de 90 como essa atmosfera desenhada 4 anos antes renderia o álbum Dangerous, uma miscelânea de ritmos tão grande que consolidaria Michael Jackson como um dos maiores artistas do mundo. Perigoso, excêntrico e muito, muito instável.

Com mais de 40 milhões de cópias vendidas, o legado de Bad impressiona muito mais pela estética do que pela questão musical. É simplesmente impossível pensar no universo do hip hop com Jay-Z, Kanye West e tantos outros nomes e não associar com a estética que Michael Jackson criara três décadas antes.

A excentricidade, a fama de mau. O jeito de um cara mau que faz tudo para proteger o que tem ao lado. A fusão da arrogância e do egocentrismo com um carisma capaz de dar à indústria pop, hoje, o fôlego que ela precisa para manter de pé os seus mitos, os novos mitos. No fim das contas discípulos diretos ou indiretos de Michael Jackson.

A música passa por aqui.

Email:

contato@revistasom.com.br

Fone:

11 98022.7441

Mídias Sociais